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diário de fotografia · viagens · afetos

Bodas de Zinco

Bodas de Zinco

Ontem realizei um sonho e a vida, daquele jeitinho especial que só ela sabe ser, colocou um dos melhores dias da nossa vida numa das fases mais difíceis do nosso relacionamento. Quando nos casamos em 2022, foi uma grande realização, me vestir de noiva, entrar ao som de Turning Page, estar com nossa família, ter uma festa e uma cerimônia do jeitinho que vivíamos fazendo todo final de semana. Mas depois que ela passou, eu percebi que faltou algo.

Faltou eu ser mais eu mesma na minha produção de noiva, faltou viver o dia com muuuuita entrega e me alegrar com cada momento vivido, faltaram conteúdos que eu gostaria de ter tido mais, faltou eu ter segurança de quem eu era e me firmar nisso. Não apago a experiência que vivemos naquele dia, até porque eu só sou a Vick que eu sou hoje porque passei por todo o processo desde então. Afinal, iniciei a terapia há menos de três meses do casamento, e quatro anos depois seria impossível me manter como eu era. Naquela época, eu não sabia me impor, eu lutei por relações falidas só porque era o idealizado, só percebia as coisas que não seriam como eu desejava.

Dessa vez, consegui ser eu mesma, fiel a como eu me vejo como mulher, às minhas escolhas de beleza. As pessoas que estiveram com a gente, a não esperar do outro a felicidade que eu queria sentir e sem contar na sorte de estar num lugar fantástico, cercada de profissionais incríveis. Se algum dia me faltou algo referente ao nosso casamento, essa falta não existe mais.

Espero mais uma vez estar aberta a aprender com as lições que a vida me traz e me permitir ser sempre uma versão melhor de mim mesma.


Fotos da Fujifilm feitas por mim e pelo Caio


Nossa viagem para Europa

Nossa viagem para Europa

Hoje é dia 2 de setembro, faz mais de duas semanas que voltamos da viagem dos meus sonhos e, até agora, não consegui parar aqui para compartilhar ou até mesmo colocar em palavras o que foi a realização desse sonho. Acredito que eu já tenha refletido muito sobre como foi um marco fazer essa viagem um ano depois de tudo se tornar insuportável por conta da depressão e da ansiedade. Então, eu quero me lembrar, através desse post, do quão desejosa estou por novas oportunidades, por novos lugares e por sonhos a serem sonhados.

Estar em Paris foi incrível, estar andando na rua e olhar para a Torre de diversos ângulos. Conhecer o Louvre, o Campo de Marte, o Trocadéro. Andar de metrô para todos os lados, jantar bem embaixo da Torre Eiffel foi muito mais do que imaginei enquanto planejávamos. Roma foi encantadora, nunca vou me esquecer da sensação de ver a Fontana di Trevi pela primeira vez, comer o cornetto de pistache da L'Antico Forno e o sanduíche de focaccia da All'Antico Vinaio, que me faz pensar nele por diversas vezes durante um dia normal. O quão encantado o Caio ficou com o Império Romano e a história por todos os lados.

Nice, Mônaco, Modena e Maranello foram sobre o Caio, mas tão gostoso quanto realizar nossos sonhos é ver quem amamos realizando o deles. Me sinto pronta para as novas oportunidades que surgirão, lugares incríveis que tenho certeza que conheceremos.



A vida retribui aquilo que emanamos

A vida retribui aquilo que emanamos


É engraçado como a vida retribui aquilo que emanamos. Hoje é dia 30 de julho. Falta pouco mais de uma semana para o meu aniversário e recebi uma surpresa das minhas amigas. Nessa mesma época do ano passado, existiam dores que pareciam não ter solução, mágoas profundas que alimentavam a minha depressão. E Deus trouxe à minha memória aquele aniversário de quinze anos em que a Bia recebeu uma surpresa muito parecida com esta, feita pelas meninas que, até poucos meses atrás, eu chamava de amigas, mas que decidiram se afastar de mim de forma injusta.

Meus pais não mudaram, longe disso. Ainda não tenho a família de comercial de margarina que sempre desejei, mas vivo o meu Friends com os melhores amigos que alguém poderia ter. Amigas que me amaram nas minhas fases mais difíceis e permaneceram ao meu lado mesmo quando eu não queria que permanecessem.

É impossível mencionar Friends e não pensar que o meu Chandler realmente foi feito sob medida para mim. Ele, que está ao meu lado durante todas essas fases, me fez refletir hoje que não é porque meus pais não estiveram por mim que eu estou sozinha. Eu sempre tive ele. E, a cada ano, conforme me abro mais para as coisas boas da vida, tenho encontrado novas pessoas pelo meu caminho.

Eu sei que sou uma pessoa extremamente emocional e que estou sempre buscando motivos e conexões que tragam sentido ao que já vivi. Mas, meu Deus, este é o primeiro aniversário, em pelo menos quinze anos, em que as faltas se tornaram menores do que os ganhos. Acredito que todas essas lembranças e reflexões que tenho compartilhado aqui fazem parte da minha tão desejada cura.

Quando a ansiedade tirou a alegria da expectativa?

Quando a ansiedade tirou a alegria da expectativa?


Hoje faltam exatos 17 dias para nossa viagem para a Europa. Já reservei dois restaurantes, já montei um roteiro para os nossos dias em Paris, e a grande verdade é que posterguei ao máximo me planejar, me imaginar realizando esse sonho, porque a minha boa e velha ansiedade tira todo o brilho daquilo que deveria ser um sonho.

Eu me lembro que, durante os planejamentos para o casamento, em dado momento eu nem queria mais viver o dia, só queria que ele passasse. Quando eu vivenciei esse dia tão aguardado, foi como piscar os olhos. A verdade é que existe beleza na expectativa e no planejamento, eu só não posso deixar os meus medos serem mais altos do que as coisas boas que vêm disso. Porque, no fim, teremos o quê? Quinze? Doze dias por lá? E esse ano sonhando com esses dias? Foram eles que me motivaram, de pouquinho em pouquinho, a voltar a acreditar na vida, a encontrar beleza nos pequenos projetos, por saber que os maiores são frutos deles. Eu sei que eu nem fui e eu já quero planejar mais mil viagens e viver esse sonho todos os anos.

Houve um momento em que eu entendi que ser mãe não era mais uma certeza em minha vida. Eu me vi sem futuro. Eu não sabia onde depositar meus sonhos, minhas metas, tudo parecia perdido. E hoje, mesmo que por diversos momentos eu precise calar a voz da minha ansiedade, eu resgatei a expectativa de viver. Acredito que a Victória que chegará em Paris não será a mesma que voltará de Roma ao fim da viagem e coloco um pouco das minhas expectativas para a vida nisso: reencontrar sentido no futuro, naquilo que posso me proporcionar e que está em acordo dentro do meu casamento.

Filha amada?

Filha amada?

Depois do último ano enfrentando depressão e crises de ansiedade, cheguei no lugar mais assustador da minha existência. A falta de um relacionamento com Deus, como eu uma filha tão machucada pelos seus pais consegue entender o amor e cuidado de Deus pai? Senhor, hoje eu percebi que eu não sei ser uma filha amada, eu não sei ser repreendida ou até frustada porque eu nunca recebi esse tipo de de "repreensão" em amor. 

Faço dessa simples postagem uma oração, cura meu coração machucado, me ensina a me olhar com seus olhos de amor, a aprender que quem ama repreende por querer o meu bem e não para me ferir ou me desmerecer. Me torne e sua filha amada, que saiba reconhecer em seus braços o colo que eu nunca recebi.