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diário de fotografia · viagens · afetos

A vida retribui aquilo que emanamos

A vida retribui aquilo que emanamos


É engraçado como a vida retribui aquilo que emanamos. Hoje é dia 30 de julho. Falta pouco mais de uma semana para o meu aniversário e recebi uma surpresa das minhas amigas. Nessa mesma época do ano passado, existiam dores que pareciam não ter solução, mágoas profundas que alimentavam a minha depressão. E Deus trouxe à minha memória aquele aniversário de quinze anos em que a Bia recebeu uma surpresa muito parecida com esta, feita pelas meninas que, até poucos meses atrás, eu chamava de amigas, mas que decidiram se afastar de mim de forma injusta.

Meus pais não mudaram, longe disso. Ainda não tenho a família de comercial de margarina que sempre desejei, mas vivo o meu Friends com os melhores amigos que alguém poderia ter. Amigas que me amaram nas minhas fases mais difíceis e permaneceram ao meu lado mesmo quando eu não queria que permanecessem.

É impossível mencionar Friends e não pensar que o meu Chandler realmente foi feito sob medida para mim. Ele, que está ao meu lado durante todas essas fases, me fez refletir hoje que não é porque meus pais não estiveram por mim que eu estou sozinha. Eu sempre tive ele. E, a cada ano, conforme me abro mais para as coisas boas da vida, tenho encontrado novas pessoas pelo meu caminho.

Eu sei que sou uma pessoa extremamente emocional e que estou sempre buscando motivos e conexões que tragam sentido ao que já vivi. Mas, meu Deus, este é o primeiro aniversário, em pelo menos quinze anos, em que as faltas se tornaram menores do que os ganhos. Acredito que todas essas lembranças e reflexões que tenho compartilhado aqui fazem parte da minha tão desejada cura.

Quando a ansiedade tirou a alegria da expectativa?

Quando a ansiedade tirou a alegria da expectativa?


Hoje faltam exatos 17 dias para nossa viagem para a Europa. Já reservei dois restaurantes, já montei um roteiro para os nossos dias em Paris, e a grande verdade é que posterguei ao máximo me planejar, me imaginar realizando esse sonho, porque a minha boa e velha ansiedade tira todo o brilho daquilo que deveria ser um sonho.

Eu me lembro que, durante os planejamentos para o casamento, em dado momento eu nem queria mais viver o dia, só queria que ele passasse. Quando eu vivenciei esse dia tão aguardado, foi como piscar os olhos. A verdade é que existe beleza na expectativa e no planejamento, eu só não posso deixar os meus medos serem mais altos do que as coisas boas que vêm disso. Porque, no fim, teremos o quê? Quinze? Doze dias por lá? E esse ano sonhando com esses dias? Foram eles que me motivaram, de pouquinho em pouquinho, a voltar a acreditar na vida, a encontrar beleza nos pequenos projetos, por saber que os maiores são frutos deles. Eu sei que eu nem fui e eu já quero planejar mais mil viagens e viver esse sonho todos os anos.

Houve um momento em que eu entendi que ser mãe não era mais uma certeza em minha vida. Eu me vi sem futuro. Eu não sabia onde depositar meus sonhos, minhas metas, tudo parecia perdido. E hoje, mesmo que por diversos momentos eu precise calar a voz da minha ansiedade, eu resgatei a expectativa de viver. Acredito que a Victória que chegará em Paris não será a mesma que voltará de Roma ao fim da viagem e coloco um pouco das minhas expectativas para a vida nisso: reencontrar sentido no futuro, naquilo que posso me proporcionar e que está em acordo dentro do meu casamento.

Filha amada?

Filha amada?

Depois do último ano enfrentando depressão e crises de ansiedade, cheguei no lugar mais assustador da minha existência. A falta de um relacionamento com Deus, como eu uma filha tão machucada pelos seus pais consegue entender o amor e cuidado de Deus pai? Senhor, hoje eu percebi que eu não sei ser uma filha amada, eu não sei ser repreendida ou até frustada porque eu nunca recebi esse tipo de de "repreensão" em amor. 

Faço dessa simples postagem uma oração, cura meu coração machucado, me ensina a me olhar com seus olhos de amor, a aprender que quem ama repreende por querer o meu bem e não para me ferir ou me desmerecer. Me torne e sua filha amada, que saiba reconhecer em seus braços o colo que eu nunca recebi.

Descobri que o autoconhecimento anda de mãos dadas com a minha saúde mental

Descobri que o autoconhecimento anda de mãos dadas com a minha saúde mental

Já faz alguns meses que percebi que após um casamento me deixar abater e passar o dia na cama/sofá me faz mais mal do que o conhecido "eu mereço descansar". Não é que eu não mereça mas entendi que descanso pra mim não é só um corpo corpo em repouso, mas é a mente em paz e o que me traz paz? A casa organizada, ter um almoço gostosinho para comer. Saber que ao adiantar essas pequenas coisas no domingo, amanhecerei na segunda-feira com mais tranquilidade e sem afobação ou ansiedade para cumprir com os deveres de casa e do trabalho.

Eu sei que não sou a pessoa mais normal do mundo e sinceramente essa necessidade por uma casa limpa pode ser vista como algo ruim, mas desde quando perder uma horinha de um dia inteiro fazendo algo que me trará benefícios para o resto do meu dia deve ser visto como algo ruim?

Conhecer meus limites e minhas necessidades não devem ser uma busca por auto repreensão ou desejo de ser diferente, mas aceitar o que me faz bem e ir em busca disso. Eu não preciso ser diferente do que eu já sou hoje, eu só preciso ter uma boa vida sendo quem sou.

Ouro Preto

Ouro Preto

Ouro Preto | 2025
Quem diria que revisitar este blog depois de quase dez anos me faria ter vontade de voltar a escrever e eu perderia um dia inteiro trocando layout (sempre foi minha parte preferida) pra deixar ele com a minha carinha?

A verdade é que muito do meu olhar fotográfico e sensibilidade com as palavras foram se perdendo nessa nova era performática onde tudo é perfeito e cool no Instagram. Onde vou chorar minhas lamúrias e questões emocionais sem ser julgada? Eu já descobri, aqui!

Aproveitando essa nova fase deliciosa, estou com tantas fotos da viagem que fizemos para Ouro Preto no ano passado que acho extremamente válido trazer elas para cá. Essa viagem foi feita para participarmos do workshop do Rômulo e da Fran, da Aproximar Fotografia, e saí de lá com vontade de levar minha câmera para todo lado e fotografar o mundo. Não se sustentou por muito tempo, pois caí em depressão e a última coisa que eu pensava era em coisas bonitas para fotografar, maaaaaas, se estamos aqui tantos meses depois é porque eu sobrevivi.