Quando a ansiedade tirou a alegria da expectativa?
Hoje faltam exatos 17 dias para nossa viagem para a Europa. Já reservei dois restaurantes, já montei um roteiro para os nossos dias em Paris, e a grande verdade é que posterguei ao máximo me planejar, me imaginar realizando esse sonho, porque a minha boa e velha ansiedade tira todo o brilho daquilo que deveria ser um sonho.
Eu me lembro que, durante os planejamentos para o casamento, em dado momento eu nem queria mais viver o dia, só queria que ele passasse. Quando eu vivenciei esse dia tão aguardado, foi como piscar os olhos. A verdade é que existe beleza na expectativa e no planejamento, eu só não posso deixar os meus medos serem mais altos do que as coisas boas que vêm disso. Porque, no fim, teremos o quê? Quinze? Doze dias por lá? E esse ano sonhando com esses dias? Foram eles que me motivaram, de pouquinho em pouquinho, a voltar a acreditar na vida, a encontrar beleza nos pequenos projetos, por saber que os maiores são frutos deles. Eu sei que eu nem fui e eu já quero planejar mais mil viagens e viver esse sonho todos os anos.
Houve um momento em que eu entendi que ser mãe não era mais uma certeza em minha vida. Eu me vi sem futuro. Eu não sabia onde depositar meus sonhos, minhas metas, tudo parecia perdido. E hoje, mesmo que por diversos momentos eu precise calar a voz da minha ansiedade, eu resgatei a expectativa de viver. Acredito que a Victória que chegará em Paris não será a mesma que voltará de Roma ao fim da viagem e coloco um pouco das minhas expectativas para a vida nisso: reencontrar sentido no futuro, naquilo que posso me proporcionar e que está em acordo dentro do meu casamento.